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Com o retorno das aulas e o aumento da convivência diária entre crianças, os casos de piolho voltam a preocupar famílias e instituições de ensino. A infestação, chamada de pediculose, é bastante comum na fase escolar e não tem relação com falta de higiene, como ainda acreditam muitas pessoas.
O principal meio de transmissão é o contato direto, sobretudo cabeça com cabeça, situação frequente durante brincadeiras, abraços e atividades em grupo nas escolas. De acordo com a pediatra Alana Zorzan, cofundadora do aplicativo Mini Löwe, esse tipo de interação favorece a disseminação do parasita. “A proximidade entre as crianças facilita a transmissão do piolho”, explica.
A especialista destaca que a identificação precoce é fundamental para reduzir o desconforto e impedir novos ciclos de infestação, tanto na criança quanto no ambiente escolar.
Além do contato direto, a pediculose também pode ser transmitida por meio do compartilhamento de objetos de uso pessoal. Entre as situações mais comuns estão o uso coletivo de pentes, escovas, bonés, acessórios de cabelo, além de roupas de cama e toalhas.
A pediatra ressalta que qualquer pessoa pode ser acometida, independentemente de hábitos de higiene ou condição socioeconômica.
Os sinais costumam surgir gradualmente e, muitas vezes, passam despercebidos no início. Os principais sintomas incluem coceira intensa e persistente no couro cabeludo, pequenas lesões semelhantes a picadas de inseto, irritação local e a presença de piolhos ou lêndeas presas aos fios, próximas à raiz do cabelo.
Ao perceber esses sinais, a orientação médica é iniciar o tratamento o quanto antes.
Entender o ciclo de vida do parasita ajuda a explicar por que o tratamento precisa ser acompanhado. As lêndeas levam de sete a dez dias para eclodir e, após nascer, o piolho jovem pode demorar até 12 dias para atingir a fase adulta. O parasita adulto pode viver cerca de 30 dias no couro cabeludo.
Por esse motivo, em alguns casos, é necessário repetir o tratamento para evitar a reinfestação.
O combate à pediculose envolve cuidados com a criança e também com o ambiente. O uso do pente fino de forma regular, com o cabelo seco ou molhado e dividido em mechas, é uma das principais medidas. Também é importante lavar roupas de cama, toalhas e peças de uso recente em água quente.
Durante o tratamento, deve-se evitar o compartilhamento de objetos pessoais. Em alguns casos, produtos específicos, como xampus e loções, podem ser indicados, sempre com orientação profissional. Medicamentos orais só devem ser utilizados com prescrição médica.
A automedicação e o uso de soluções caseiras sem comprovação científica podem causar irritação no couro cabeludo e agravar o problema. O uso repetido de produtos fortes, sem necessidade, também deve ser evitado.
Quando não tratada corretamente, a pediculose pode provocar complicações como infecções bacterianas secundárias, dermatite, queda temporária de cabelo e impactos emocionais, como constrangimento e isolamento social.
Para a pediatra, informação e acolhimento são essenciais. “Piolho não é sinal de descuido. O mais importante é orientar, tratar corretamente e evitar o estigma, que pode afetar a autoestima da criança”, conclui.